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quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Casa-Museu Teixeira Lopes
CONVITE
Exposição Rectrospectiva do Escultor Avelino Rocha
Inauguração Sábado, 13 de Setembro, pelas 15:30 horas
Casa-Museu TeixeiraLopes /Galerias Diogo de Macedo
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Livros, livros, livros...


MATEJ KRÉN, Book Cell
Instalação no Hall do CAMJAP da FCG [19 Julho 2006 a 29 Abril 2007]
Em BooK Cell, MATEJ KRÉN recorre ao procedimento habitual que usa no seu trabalho, empilhando milhares de livros para assim criar uma construção arquitectónica que nos permite nela penetrar.
Este poço hexagonal é construído com pedras-livros, retirando-lhes deste modo a sua função primeira e usando-os como material da escultura-arquitectura.
O saber nos livros guardado, assim permanece: fechado e inacessível.
Só o acto destrutivo ou de desmantelamento os recuperará para a sua função de leitura.
Entretanto, os livros, trabalhados como matéria escultórica, corporizaram o espírito do lugar que o autor nos construiu: um recinto hexagonal com uma passagem de espelhos paralelos que desmultiplicam ad infinitum o espaço e põem o nosso caminhar na vertigem da queda, no pânico do desatino espacial.
Book Cell reúne edições da Fundação Calouste Gulbenkian ao longo dos seus 50 anos de actividade editorial e vários outros livros do mundo.
Desta forma sai reforçada a natureza site specific do trabalho com a inclusão de objectos (os livros) que representam um pilar basilar da intervenção cultural da Fundação e são metáfora da própria construção do conhecimento.
Este poço hexagonal é construído com pedras-livros, retirando-lhes deste modo a sua função primeira e usando-os como material da escultura-arquitectura.
O saber nos livros guardado, assim permanece: fechado e inacessível.
Só o acto destrutivo ou de desmantelamento os recuperará para a sua função de leitura.
Entretanto, os livros, trabalhados como matéria escultórica, corporizaram o espírito do lugar que o autor nos construiu: um recinto hexagonal com uma passagem de espelhos paralelos que desmultiplicam ad infinitum o espaço e põem o nosso caminhar na vertigem da queda, no pânico do desatino espacial.
Book Cell reúne edições da Fundação Calouste Gulbenkian ao longo dos seus 50 anos de actividade editorial e vários outros livros do mundo.
Desta forma sai reforçada a natureza site specific do trabalho com a inclusão de objectos (os livros) que representam um pilar basilar da intervenção cultural da Fundação e são metáfora da própria construção do conhecimento.
Matej Krén (1958, Trenčín, Eslováquia)
Vive e trabalha em Praga.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Ventos

Pente dos Ventos, San SebastianEduardo Chillida, arquitecto de vazios e poeta da luz, opera uma síntese entre arquitectura e escultura, duas artes criadoras de espaços tridimensionais. Protagonista duma site-specific sculpture em que o relacionamento das peças com o lugar transformam o espaço envolvente em parte integrante da obra. Não se limita a pôr a obra no espaço mas, ao torná-lo vivenciável, convoca também o próprio espectador, que passa a integrar e a experimentar a trama de tempo e de espaço em que a escultura se transformou.
Mais do que uma arte relacionada com a distribuição de objectos no espaço [Lessing] a escultura contemporânea obriga-nos a falar cada vez mais de tempo, devido aos apelos à consciência que o observador tem do seu próprio tempo ao vivenciar a obra [Krauss]. Daí a implícita experiência temporal que a escultura de Chillida oferece, assegurando deste modo uma forte ligação à poesia.
Chillida usa, pois, o espaço como material primordial, dando-lhe forma através do trabalho sobre a matéria. Processo que, pela subtracção de matéria, define espaço, ao operar cortes, abrir ocos, perfurar. Introduz luz na matéria, carregando a escultura de energia. Uma luz que passa a brotar de dentro da própria escultura. O espaço vazio materializa-se, assim, numa força que complementa a matéria e é tão corporal como ela, desdobrando-se em ritmos de uma música silenciosa.
O vácuo primordial recipiente do universo, o silêncio esperando o som.
Também a luz, material intangível, é usada por Chillida para definir volumes negativos e, como elemento da escultura, torna-se também um componente do tempo, um tempo que nos toca e que não conseguimos agarrar.
Diálogo de opostos, as suas obras materializam o imaterial, provam a existência do vazio através do trabalho da matéria, numa atitude paradoxal e ambivalente. Afirma pela negação, lembrando o vazio interno do vaso, que é a sua razão de ser, e o vazio habitável da casa.
É assim, entre luz e sombra, espaço e tempo, matéria e vazio, que se ergue a arte de Eduardo Chillida.
O Pente dos Ventos, em San Sebastian evoca um lugar arcaico onde a acção artística sobre os elementos da natureza demanda a fusão entre o material e o espiritual, abrindo novos horizontes.
Além da Forma e da Imagem existe também o Som. Esta é, também, uma escultura sonora. Podemos mesmo dizer uma instalação sonora, em que o som se materializa de forma consciente. Incorporado na obra que o produziu participa, também, no discurso plástico.
Chillida projectou, em colaboração com o músico Luis de Pablo, para a superfície da plataforma do Peine de los Vientos, sete perfurações, através das quais o mar, devido à força com que entra por baixo, cria uma pressão no ar que, ao sair por cada um dos sete orifícios, produz sons correspondentes às sete notas musicais.
Formas e sons que amam o longe e a distância fazendo mais um Elogio ao Horizonte, como o que realizou em Gijon, onde Chillida criou um magnificat que põe a imensidão do oceano e do firmamento diante do espectador.
O homem é a medida e vê com o corpo todo. A escultura oferece uma escala, um micro espaço para enfrentar e abraçar o horizonte, o limite do nosso olhar.
Mais do que uma arte relacionada com a distribuição de objectos no espaço [Lessing] a escultura contemporânea obriga-nos a falar cada vez mais de tempo, devido aos apelos à consciência que o observador tem do seu próprio tempo ao vivenciar a obra [Krauss]. Daí a implícita experiência temporal que a escultura de Chillida oferece, assegurando deste modo uma forte ligação à poesia.
Chillida usa, pois, o espaço como material primordial, dando-lhe forma através do trabalho sobre a matéria. Processo que, pela subtracção de matéria, define espaço, ao operar cortes, abrir ocos, perfurar. Introduz luz na matéria, carregando a escultura de energia. Uma luz que passa a brotar de dentro da própria escultura. O espaço vazio materializa-se, assim, numa força que complementa a matéria e é tão corporal como ela, desdobrando-se em ritmos de uma música silenciosa.
O vácuo primordial recipiente do universo, o silêncio esperando o som.
Também a luz, material intangível, é usada por Chillida para definir volumes negativos e, como elemento da escultura, torna-se também um componente do tempo, um tempo que nos toca e que não conseguimos agarrar.
Diálogo de opostos, as suas obras materializam o imaterial, provam a existência do vazio através do trabalho da matéria, numa atitude paradoxal e ambivalente. Afirma pela negação, lembrando o vazio interno do vaso, que é a sua razão de ser, e o vazio habitável da casa.
É assim, entre luz e sombra, espaço e tempo, matéria e vazio, que se ergue a arte de Eduardo Chillida.
O Pente dos Ventos, em San Sebastian evoca um lugar arcaico onde a acção artística sobre os elementos da natureza demanda a fusão entre o material e o espiritual, abrindo novos horizontes.
Além da Forma e da Imagem existe também o Som. Esta é, também, uma escultura sonora. Podemos mesmo dizer uma instalação sonora, em que o som se materializa de forma consciente. Incorporado na obra que o produziu participa, também, no discurso plástico.
Chillida projectou, em colaboração com o músico Luis de Pablo, para a superfície da plataforma do Peine de los Vientos, sete perfurações, através das quais o mar, devido à força com que entra por baixo, cria uma pressão no ar que, ao sair por cada um dos sete orifícios, produz sons correspondentes às sete notas musicais.
Formas e sons que amam o longe e a distância fazendo mais um Elogio ao Horizonte, como o que realizou em Gijon, onde Chillida criou um magnificat que põe a imensidão do oceano e do firmamento diante do espectador.
O homem é a medida e vê com o corpo todo. A escultura oferece uma escala, um micro espaço para enfrentar e abraçar o horizonte, o limite do nosso olhar.
A. F. Silva


Elogio ao Horizonte, Gigon
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Rui Chafes na Casa-Museu Teixeira Lopes
Inaugurou no passado sábado 28 de Junho, na Casa-Museu Teixeira Lopes, uma exposição de escultura de Rui Chafes.
O escultor pôs particulares cuidados na forma como apresenta as suas peças, num diálogo com os espaços e com a coleção de obras da casa.
As esculturas-construções ocupam, invadem e parecem ultrapassr o espaço que as contém, ou, discretamente, dissimulam-se.
A montagem da exposição transforma as peças numa instalação, metamorfoseando-as em nova unidade.
É evidente na obra de Rui Chafes a poetização que os objectos escultóricos sofrem. Eles nascem da palavra e constituem-se como uma materialização, paradoxal, da palavra poética. Cada objecto deseja ir além da sua materialidade, querendo transformar, através da palavra, a escultura em poesia. A palavra é, em Rui Chafes, uma realidade indissolúvel dos objectos. É parte da obra e como tal mantém o seu carácter de orgão num organismo. Atente-se nos títulos e no livro-catálogo, objecto escultórico, relicário de palavras.
Imperdível!
Até 24 de Agosto.

Trago-te em mim como uma ferida, 2000
ferro, 800X74X96cm, col. particular

Trago-te em mim como uma ferida, 2000
ferro, 800X74X96cm, col. particular

Cristal 2, 1996
ferro, 36X19X28cm, col. particular

Deine Stimme [A tua voz], 1997
ferro, 2 esculturas, cada: 221X58X58cm, col. Peter Meeker
O escultor pôs particulares cuidados na forma como apresenta as suas peças, num diálogo com os espaços e com a coleção de obras da casa.
As esculturas-construções ocupam, invadem e parecem ultrapassr o espaço que as contém, ou, discretamente, dissimulam-se.
A montagem da exposição transforma as peças numa instalação, metamorfoseando-as em nova unidade.
É evidente na obra de Rui Chafes a poetização que os objectos escultóricos sofrem. Eles nascem da palavra e constituem-se como uma materialização, paradoxal, da palavra poética. Cada objecto deseja ir além da sua materialidade, querendo transformar, através da palavra, a escultura em poesia. A palavra é, em Rui Chafes, uma realidade indissolúvel dos objectos. É parte da obra e como tal mantém o seu carácter de orgão num organismo. Atente-se nos títulos e no livro-catálogo, objecto escultórico, relicário de palavras.
Imperdível!
Até 24 de Agosto.

Trago-te em mim como uma ferida, 2000
ferro, 800X74X96cm, col. particular

Trago-te em mim como uma ferida, 2000
ferro, 800X74X96cm, col. particular

Cristal 2, 1996
ferro, 36X19X28cm, col. particular

Deine Stimme [A tua voz], 1997
ferro, 2 esculturas, cada: 221X58X58cm, col. Peter Meeker
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